quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Querido Blog,

Sou uma mulher à beira de um ataque de nervos. Não me falem de bebés, grávidas, maturidades e maternidades, que isto de viver num país democrático e avançado, ter quase 30 anos e não pensar sequer em procriar, é uma bela duma merda. Vivo com o medo de ser apredejada na praça mais próxima, isso ou a fogueira. Não vale a pena fingir-me adulta ou responsável nem criar a ilusão da linha de sobrinhos que vou adoptando por este percurso vergonhoso que é o não querer ter filhos, que logo pelo pequeno almoço engulo a enciclopédia da mulher em três fascículos, patrocinada por uma marca de fraldas, papas ou chupetas, whatever. Pois dizem essas grandes mentes, mal fodidas, que a mulher fica completa com a maternidade. Fica uma ova, que eu cá não sou menos que a empregada de limpeza que tem cinco filhos e um neto a caminho. Estarei assim tão deslocada da sociedade só por não querer parir? Desculpem lá, se o meu objectivo de vida não passa por pôr no mundo um bando de ranhosos, insultem-me por não sonhar com a prestação do T2, férias no Orbitur da Quarteira, batam-me por não estar interessada nos colégios fashion da cidade onde os miúdos possam ter uma educação acima da média. Em que me transformarei, numa sociedade preconceituosa e politicamente correcta, se não tenho vontade de entrar nas bebés comfort dos shoppings citadinos.
Há sempre os filhos das outras.
E para quando um abono para as mulheres que não querem ter filhos e não têm preocupações com os materiais usados nos brinquedos?
Se me perdoarem por acreditar que o bom da coisa é passar a vida a dois, com jantares, viagens, copos, tardes esticados no sofá, festas, em vez de olharem para mim com um ar desconfiado por ainda não ter sentido o apelo do relógio biológico.
Haverá salvação possível, com seiscentos macacos.
Vale os meus ricos pais que, também, ainda não sentiram o apelo da vovozice, dos biberons e das botinhas de malha. Por noites tranquilas, pela boa vida e o belo corpo, serei tia, com muito gosto.
Perceberam, ou tenho que fazer um desenho?

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Querido Blog,

Houston we have a problem. Devem estar a pensar os bifes a esta altura do campeonato. Pois que Portugal é o país dos pequeninos, isso ninguém duvida, mas quem é esse povinho branquicela de trazer por casa, com a mania que são diferentes e supeiores?!?! Os Ingleses, for god's sake. Até aqui, nos jornais britânicos, a polícia portuguesa montou uma cabala contra o casal McCann, faz deles suspeitos, não soube agir da melhor maneira para encontrar a pequena Maddie, enfim cambada de incompetentes. Se fossemos um povo tão nobre e tão culto e tomassemos chá às 17h talvez tivessemos já desvendado o caso, mas somos um povo de cerveja e atracão e sendo assim, ainda, não há conclusões. À falta de melhor pede-se ajuda aos grandes intelectuais da europa, eles levam as amostras de sangue, dizem que demora 12 dias no máximo já passaram 17 e nada. Ahhh, não conseguem descobrir o que aconteceu à criança. Pois nós também não, temos pena. Acusaram-nos de suspeitar dos pais, dos amigos dos pais, dos ingleses em geral, e suspeitamos, e porquê? Porque nem com tanta cerveja nem com tanto atracão a maioria dos portugueses deixa os filhos em casa sozinhos quando saem para jantar. Essa é que é essa. Agora os resultados de sangue já regressavam à base. Será que está camuflado algum medo? Ai, não há Papa que os valha.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Querido Blog,

Deus é grande e tem uma paciência infinita mas não deve ser português, ou isso, ou tem alguma coisa contra mim e esta minha vidinha reles passada nas portas dos bares e nas colmeias sociais. Pertenço à classe do gajedo cosmopolita, depilada, social e lavadita, tenho os meus podres, sou como tantos outros, mas a minha paciência tem limite curto. É mais ou menos como essa descoberta magnífica do teste da droga para condutores, se eles fossem era apanhar no cúzinho com os paneleiros do la féria, isso é que era. O povão já não pode fumar o seu charutinho na paz sem ter o medo que um cabrão de um bófia qualquer nos faça parar no trânsito. E quê? Vai vasculhar as entranhas do carro para descobrir mortalhas ou prata, então não vai?!?! Vai masé pegar no testezinho e enfiá-lo no cú, e se precisar de ajuda que chame o nosso senhor jesus o cristo, que eu devia era ter ficado em casa a ver as tardes da Júlia, se esta senhora fosse como eu e se alimentasse da má vida, mas assim, devia ter ficado a ter uma overdose de satisfação a ver as mamas da magricela da Liliana Aguiar. E toca a ganhar. Ganhar uma noite no hospital para confirmar o nível de sangue na minha droga e no meu álcool, que eu cá sou uma desavergonhada sem arrependimentos com a fortuna que gastei para me por neste estado. Enfim, não sou viciada em drogas, sou viciada no glamour. Ou como disse esse grande maluco do Salvador, o Dalí, “I don't do drugs, I am drugs”.
Os Espanhois sabem-na toda. Olééé.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Querido Blog,

A vida mudou

Tudo é diferente

Tudo é melhor

Sabes escolher e preferes schweppes.

sábado, 4 de agosto de 2007

Querido Blog,

Mas quem é que ligou a porra do ar quente mundial e estragou o botão? É que já não se aguenta estes vinte e muitos graus à sombra, não há brisa que refresque. Zangão, e se me tirasses deste filme escaldante e me levasses de volta aos dias de temperaturas amenas, devolve-me o sonho do amor e um banho de espuma, que a cabana fica para quem a apanhar. Ai verão que insistes em queimar os neurónios, atrofiar o intelecto e dar moral ao corpo, músculos e mamas, that's all that matters. Ai o carro que veio sem ar condicionado porque faz mal. Faz mal uma merda. Mal faz esta tortura de imaginar-ne numa piscina, sentadita nos insufláveis de um refrigerante qualquer, a embebedar-me como se não houvesse amanhã. Porque se houver será passado assim, exactamente da mesma forma, que a classe média não tem complexos. É a excursão na piscina mais perto, de preferência municipal, com os miúdos, as geleiras, os cremes, os brinquedos, as boias para o mainovo que não sabe nadar. Depois é o desfilar do bronzeado, que o povão está farto de branquicelos, aicórrore, horas debaixo do sol, a quem importa o cancro da pele, a cor é que faz o status, nem que se tenha que besuntar com óleo ou bronzeador. A pele há-de enevelhecer e cair. Que importa a saúde neste país há muito adoentado. Mas o ruído dos suburbanos é coisa para se suportar, aos ouvidos desta gentinha, qualquer praia portuguesa, com um pouco de imaginação, parece o paraíso. Credo, suportar centenas de criancinhas a berrar à volta deste meu corpinho danone, à base de vodka, tabaco, maus vícios e descanso. É por isto que eu não quero ter filhos, porque aturar os filhos dos outros já é um inferno. Para quando a lei do silêncio nas praias e piscinas públicas? Para quando a permissão de dar prozac à criançada, no leitinho?
E eu, deitada na areia sobre a minha toalha Emporio Armani, óculos escuros da Gucci, dos verdadeiros, com a sensação que aquela praia me é familiar da viagem que fiz às maldivas, só pode. O mar quase transparente, a areia fina e branca e privada, o silêncio, a tranquilidade.
- Abelhinha...
- Do not interrupt me when i'm daydreaming! Fónix

quarta-feira, 1 de agosto de 2007