sexta-feira, 3 de abril de 2009

Querido Blog,

Ai, meu rico santinho, agarra-me que eu vou-lhe às trombas... Sim, queridos, agora que Barcelona assassinou por completo o meu instinto maternal e a barriga parou de crescer, o meu BI diz que faltam poucos meses para chegar aos 30. Nem sei como explicar. Porque eu não me vejo com os 30 anos que a sociedade espera que tenha, que o pai espera que eu tenha. Que as paredes dos restaurantes por onde passamos são testemunhas da ameaça paternal de perda da herança. Não há netinhos, não há dinheirinhos. O destino social é uma merda, sobretudo quando não encaixamos nos seus planos. Uma mulher de 30 anos, supõe-se, que deixou de ser uma gaja para se portar como uma senhora. Séria, calada e surda numa sala cheia de homens, de bocas tão cheias de engates e copos e ordinarices. E a mulher, de 30 anos, não fuma,não bebe, não diz asneiras e não fode. Dizem que já tem poupanças, crédito à habitação, apelido de marido, carro utilitário com duas cadeirinhas. E aos 30, dizem, eu já deveria preocupar-me com as unhas, não usar sapatilhas, telefonar à sogrinha, saber o preço nos diferentes supermercados, ter uma costureira de confiança e um clube de amigas penteadas que joguem às cartas e tomem chá com scones, numa imitação barata da mãe e das tias, com serviços de prata. Mas não. Essa não sou eu. E para os extraterrestres cá do burgo, eu, no fundo, não passo de uma gaja destrambelhada, alcoolizada, assustadoramente irresponsável, apesar de não faltar ao trabalho, pagar as contas, a tempo e horas, nunca ter batido com o meu carro e adorar cozinhar. Mas, onde estão os meus filhos? Afinal só vou fazer 30 anos e não tenho pressa nenhuma em ser igual à minha avó. E se Barcelona não me tivesse tirado a criança eu abortava, que estou pelos cabelos da puta da arrogância destas gajas destrambelhadas que passam a vida a mostrar às cabras hereges como é gratificante ser mãe. Das barbies plásticas de bisturi, e chapéu, que já nem sabem o que é um orgasmo, muito menos se lembram como é que é se fazem filhos e a descompensada sou eu? Estou tão fartinha, mas tão fartinha que me chamem assassina, bruxa e comuna, apesar da minha burguesice, perdoai-lhes senhor, que elas não sabem o que dizem, só porque não tenho medo nem vergonha de dizer sim, e para sempre serei apedrejada e queimada em praça pública porque as vacas que ficam à solta, essas Deus já as castigará- Mas quem é que estas gajas pensam que são? Enviadas do senhor? Irmãs da verdade e da vida? Quando choram pelos mortinhos de dez semanas? Alguém se lembra de as ver em manifestações a exigirem celeridade nos processos de adopção, ou mais casas de acolhimento para mães adolescentes? Qual quê! Estes freakazoides estão-se a cagar, querem lá saber se se aborta ou não em Portugal! Do que eles gostam é deste papel de juizes no tribunal moral, de dar estalos nestas pseudo-escritoras saídas de bares de alterne, neste país de brandos costumes.
Me cago en la puta!

2 comentários:

alien aboard disse...

"(...)E para os extraterrestres cá do burgo, eu, no fundo, não passo de uma gaja destrambelhada, alcoolizada, assustadoramente irresponsável(...)" tá-me a parecer k tu é k és a ET (mais uma lol) e ainda bem ;)

Carolina Reuss disse...

ET, feliz com muito gosto ;) Que as velhas parideiras têm vidas tão tristes que até irrita